II Congresso da JPT: vitória da revolução democrática e de uma nova geração política

Do site da Democracia Socialista

Já passava da meia noite de terça para quarta quando foi anunciado o resultado final do II Congresso da Juventude do PT, que ocorreu em Brasília, entre os dias 12 e 15 de novembro. O evento marcou o início da construção de uma nova direção para a juventude petista, com a hegemonia da chapa “Uma nova geração para construir a revolução democrática brasileira”. O novo Secretário Nacional será o companheiro Jefferson Lima, da CNB. A nova secretária adjunta será a companheira Joanna Paroli, da tese Avante e militante da Democracia Socialista.

Com resoluções à esquerda do debate partidário e com a perspectiva de enraizamento na juventude brasileira, o congresso deve ser visto pelas suas virtudes e, ao mesmo tempo, como uma experiência que precisa avançar na sua democracia.

Assista aqui a gravação da defesa da tese Avante, feita pela companheira Joanna Paroli

Balanço inicial

A aliança entre a tese Avante e a Construindo Um Novo Brasil foi essencial para aprovar uma resolução política e organizativa mais avançada para a JPT.

A maior vitória ficou por conta da inserção do conceito de revolução democrática ao documento, o que demonstra uma atualização programática mais à esquerda da juventude do partido. Com essa resolução, garantimos a concepção segundo a qual é necessário um partido militante, democrático e socialista para avançar a revolução democrática brasileira. Mesmo que algumas chapas tenham votado contra essa resolução, ela foi aprovada pela amplíssima maioria dos delegados e delegadas do II Congresso.

Quanto à política de alianças do PT para as próximas eleições, foi aprovada uma resolução mais avançada que a do 4o Congresso, priorizando alianças com os partidos do campo democrático e popular. No 4o Congresso a resolução falava apenas da proibição de alianças com PSDB, DEM e PPS.

Outra importante vitória foi a rejeição a uma emenda do Trabalho que propunha que a JPT deixasse de lado o debate sobre a legalização das drogas, em especial da maconha. A aprovação dessa moção certamente afastaria a Juventude do PT do debate progressista sobre o tema.

Essas resoluções aprovadas certamente nos dão maior capacidade de construir uma JPT para fora do partido, capaz de disputar aos valores da juventude brasileira e reencantar os jovens com a política. O nome da chapa vitoriosa, composta pelas teses Avante e Construindo um Novo Brasil, expressou esse sentimento hegemônico: Uma Nova Geração para Construir a Revolução Democrática Brasileira.

Mensagem ao Partido

A falta de unidade entre as diferentes correntes da Mensagem começou a ser verificada nas etapas estaduais do Congresso. Não se aliaram na maioria dos congressos estaduais e tinham enfoques distintos sobre o papel do 2° Congresso.

Desde o início do processo o MAIS privilegiou a relação com a Inaugurar e buscou uma aliança com o Trabalho. A Avante sempre privilegiou a unidade da Mensagem antes de dialogar com outras forças, mas a movimentação do MAIS inviabilizou isso.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a Avante venceu o congresso mas sofreu oposição dos companheiros do MAIS, que apoiaram a CNB. No Rio Grande do Sul esse grupo obteve delegados nas duas chapas que polarizaram a eleição (Avante e JCNB).

Do ponto de vista programático, é necessário ressaltar que a emenda ao texto de conjuntura que falava sobre a revolução democrática, apesar de aprovada pela maioria do congresso, recebeu voto contrário dos delegados do Mais.

A votação mais “polarizada” do congresso nacional expressou bem o frágil acordo político entre as teses que “denunciaram” a chapa formada entre a Avante e a JCNB. Apesar de MAIS e Fora da Ordem, em vários estados, indicarem secretários adjuntos por composição política (como em MG e RJ), apresentaram, junto com a AE, a Inaugurar e a Militância Socialista, uma proposta incompreensível de “regulamentação da secretaria adjunta” que tornava obrigatória a indicação do segundo candidato mais votado para o cargo. Pautaram-se pela reação à aliança composta pela Avante e JCNB, esquecendo o debate de fundo do congresso, e protagonizaram cenas de impressionante agressividade e desrespeito, incompatíveis com a cultura solidária do socialismo.

A Articulação de Esquerda, que em vários estados priorizou a relação com a JCNB, apresentou-se aliada à Militância Socialista na etapa nacional. A chapa Fora da Ordem reuniu Movimento PT, PTLM, Tribo e Novos Rumos.

A aliança entra a tese Avante e a CNB, no Congresso Nacional foi essencial para a formação de uma chapa que garantisse a ampla maioria (411 votos contra 241 conseguidos pelas outras chapas juntas) para a aprovação de um programa mais à esquerda e compatível com o novo momento do PT, após os avanços do 4o Congresso. Essa ampla votação ainda garantiu o direito da chapa nomear os ocupantes da Secretaria Nacional e da Secretaria Adjunta da JPT.

A Participação da DS

A juventude da DS organizou-se, assim como em 2008, em um movimento mais amplo representado pela tese Avante e pela candidatura de Joanna Paroli à Secretaria Nacional da JPT. Esse movimento, representado em 17 estados, apresentou uma plataforma de radicalização da revolução democrática, defendendo a necessidade de organizar uma juventude militante e de massas, antenada com o novo patamar de demanda social da juventude brasileira. Uma juventude que tenha um diálogo solidário e colaborativo com os movimentos sociais, impulsionando uma plataforma socialista, feminista, anti-racista e pela livre orientação sexual.

Durante esse processo verificou-se um crescimento da Avante em relação ao último congresso. O movimento reuniu a maior delegação da Mensagem ao Partido e ganhou maior enraizamento nacional, capacidade de mobilização e protagonismo, culminando com a eleição de três secretarias estaduais (RS, RJ e PI), além da escolha da companheira Joanna para a Secretaria Adjunta e do companheiro Gabriel Magno para a Secretaria Nacional de Formação Política da JPT.

Joanna Paroli defende a tese Avante no II Congresso da JPT

Programação do II Congresso Nacional da JPT

O Congresso Petista será transmitido ao vivo pelo Portal do PT www.pt.org.br.

 

Programação do II Congresso Nacional da

Juventude do PT

 

Minas Brasília Tênis Clube – 12 à 15 de novembro de 2011

Dia 12/11 – Sábado
Dia todo – Recepção das delegações

9h às 19h – Credenciamento delegados

10h às 17h – Espaço para reuniões de teses e plenárias auto-organizadas

19h – Abertura: Hino Nacional e A Internacional Socialista

Mesa:

- Rui Falcão (Presidente Nacional do PT)

- Valdemir Pascoal (Secretário Nacional de Juventude do PT)

- Representantes da JPMDB, UJS, JPPL, JSB, JSPDT

- Clarissa Cunha (Vice-Presidenta da UNE)

- Severine Macedo (Secretária Nacional de Juventude)

- Gabriel Medina (Presidente do Conjuve)

- Carlos Odas (ex-secretário nacional da JPT)

- Rodrigo Abel (ex-secretário nacional da JPT)

- Humberto de Jesus (ex-secretário nacionalda JPT)

- Rafael Barbosa “Pops” (ex-secretário nacional da JPT)

- Agnelo Queiroz – Governador do Distrito Federal

- Fernando Neto – Secretário de Juventude do Governo do Distrito Federal

 

Outros convidados: Executiva Nacional do PT

 

Dia 13/11 – Domingo

9h às 19h – Credenciamento delegados

10h – Painel “O novo patamar da JPT”

Mesa:

 

- Zé Dirceu (Ex-ministro da Casa Civil)

- Carlos Henrique Árabe (Economista e membro da CEN)

- Valdemir Pascoal (Secretário Nacional de Juventude do PT)

- Carlos Odas (Representante dos ex-secretários nacionais da JPT)

- Rafael Pops (Representante dos ex-secretários nacionais da JPT)

 

14h30–Painel “O desenvolvimento que a juventude quer para o Brasil”

Mesa:

- Alexandre Padilha (Ministro da Saúde e ex-Ministro das Relações Institucionais)

- Esther Bemerguy (Secretária-Executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social-CDES)

- Iole Ilíada (Secretária de Relações Internacionais do PT)

16h - Espaço para organização das teses e outras plenárias livres

19h – Debate “O destino das PPJs  é o presente”

Mesa:

- Severine Macedo (Secretária Nacional de Juventude)

- Gabriel Medina (Presidente do Conjuve)

- Allan Borges (Superintendente de Políticas Públicas de Juventude do Rio de Janeiro)

- Afonso Tiago (Coordenador de Juventude da Prefeitura de Fortaleza)

22h – Atividade Cultural
Show com Posto 9


Dia 14/11 – Segunda-feira

9h às 12h – Credenciamento delegados

 

12h às 19h – Credenciamento suplentes

10h – Espaço para livre organização e espaço para as teses.

14h – Debate “Os movimentos e as mobilizações da juventude brasileira”

Mesa:

- Selma Rocha (Fundação Perseu Abramo)

- Juventude da CUT

- Gabriel Landi (Coordenador do GT de Reforma Política da UNE)

- Nalu Faria (Marcha Mundial das Mulheres)

- Reginaldo Lopes (Deputado Federal ex-Presidente da Frente Parlamentar de Juventude da Câmara dos Deputados)

- Representante da JN13

- Representante da Juventude LGBT do PT

15:30h – Grupos de Discussão
17h -  Concepção e funcionamento da JPT

 

Mesa: Representantes das teses

18h – Grupos de Discussão

22h – Atividade Cultural
Show com a banda Caco de Cuia

Dia 15/11 – Terça-feira

9h – Aprovação das resoluções do II ConJPT (regimento e programa político)

13h – Defesa de candidaturas

14h – Eleição da nova direção e secretário(a) nacional da JPT

A JPT e a revolução democrática

Por Joanna Paroli, publicado originalmente na Teoria e Debate

O II Congresso da Juventude do Partido dos Trabalhadores está inserido em um cenário de importantes mudanças globais e em um momento em que a juventude retoma a centralidade para as necessárias transformações. Situamos o congresso nesse contexto, pois acreditamos que ele não deva ser apenas um evento interno do PT, mas um espaço que pode contribuir globalmente com o fortalecimento do partido nesta segunda década do século 21.

De maneira geral, as respostas ultraliberais à crise mundial têm prevalecido nos países centrais. A ausência de alternativas à esquerda reflete o duro golpe sofrido pelos trabalhadores e a desorganização dos partidos socialistas nesses países. Também não seria errado afirmar que a manutenção de um cenário diferente na América do Sul e no Brasil, em particular, está diretamente relacionado à presença do campo democrático e popular, dirigido pelo PT, no governo do nosso país.

Após a terceira vitória consecutiva sobre os conservadoras no país, o PT precisa se revitalizar, reforçando a sua opção pelo socialismo democrático e recompondo laços com a juventude brasileira. Acreditamos que as gerações constroem sua identidade apropriando-se das lutas latentes do período, conduzindo eventos marcantes e constituindo uma memória coletiva. Isto é, formar a geração da revolução democrática exige o fortalecimento cada vez maior dos laços do PT com a luta democrática e socialista.

Em todo o mundo a juventude, mais uma vez, tem demonstrado ser a ponta de lança das grandes lutas contra o capitalismo. No Brasil vivemos ainda uma situação nova. As conquistas vivenciadas nos últimos anos está formando uma geração diferente que está recompondo os sonhos aniquilados pelo neoliberalismo ao mesmo tempo em que constrói uma intervenção mais realista e pragmática. Soma-se a isso o fator demográfico do país, os jovens representam 25% da população brasileira, a juventude adquire uma dimensão estratégica para o PT e para o sucesso do nosso projeto no Brasil.

Fortalecer uma organização partidária que dê conta de dialogar com a juventude brasileira é fundamental nesse contexto. Conquistar definitivamente essa nova geração significa manter vivo o projeto petista por pelo menos mais 30 anos. Por isso, acreditamos que os desafios do II Congresso da JPT não são apenas da juventude petista, mas do conjunto do partido.

Internamente, precisamos cada vez mais de um partido democrático e militante, e de uma juventude mais fortalecida para disputar seus rumos. O 4º Congresso do PT sinalizou com a renovação como necessidade na nossa organização partidária. Não só os 20% de jovens, mas também a decisão de paridade entre homens e mulheres nos espaços de direção caminharam nesse sentido. A formalização, no Estatuto, do entendimento da JPT como instância e a importância de valorizá-la política e materialmente, abre muitas possibilidades para os próximos anos.

Precisamos instituir direções municipais que disseminem as discussões encaminhadas nas instâncias estaduais e nacional e dê vida ativa à nossa juventude. Nessa gestão que se encerra, tivemos bons momentos de mobilização, como a Caravana Nacional nas eleições de 2008 e o Encontro Nacional em 2010. Entretanto, no conjunto das atividades, acumulamos pouco para a construção política da JPT. Para além do modelo organizativo, é preciso pensar uma diretriz política que organize a próxima gestão e faça o diálogo com os estados e municípios.

A JPT, tanto na sua tarefa partidária como na militância cotidiana no movimento social e na esfera institucional, não deve titubear na defesa radical do programa socialista. Isso significa unificar as agendas e construir mobilização popular. O governo Dilma precisa aprofundar as mudanças promovidas nos últimos oito anos. Por exemplo, a inclusão social deve ser combinada com mais distribuição de renda e construção de autonomia. No bojo das Políticas Públicas de Juventude (PPJs), é necessário desenvolver uma Política de Estado, com marcos legais e planejamento, além de reforçar o conjunto de políticas que indiretamente impactam a vida dos/as jovens.

Para a juventude trabalhadora, em específico, o maior dilema é o de conciliar o tempo de trabalho e estudo. É preciso mais políticas públicas que valorizem o direito ao tempo livre e acesso ao lazer e bens culturais para as juventudes. Em paralelo, é necessário fortalecer a agenda do trabalho decente, combatendo mecanismos de precarização e flexibilização das relações de trabalho que afetam duramente a vida dos jovens. Deve ser assegurado o direito ao acesso e permanência na sala de aula, nos Ensinos Médio e Superior, evitando a entrada precoce do/da jovem no mundo do trabalho.

Por fim, é importante formular uma política que conduza a organização de base da JPT, pautada no fortalecimento do processo de formação dos filiados e militantes juvenis e da importância da discussão feminista na nossa juventude. Somado a isso, a juventude deve ser o setor de vanguarda no PT, articulando pautas que dialogam com a dimensão das liberdades individuais: respeito à diversidade como estruturante das relações sociais, luta pela legalização do aborto e autonomia das mulheres. Para isso, é preciso sair do II Congresso com uma campanha pública, que em nossa opinião deve ter o mote dos “Direitos da Juventude”, que cumpra o papel de mobilizar a juventude petista militante e disputar os valores do conjunto da juventude brasileira.

Joanna Paroli é ex-diretora da UNE e militante do partido na Bahia, candidata à secretária Nacional de Juventude do PT pela tese Avante!

Quem está com Joanna Paroli – Dr. Rosinha

Depoimento de apoio do deputado federal Dr. Rosinha à candidatura de Joanna Paroli para a Secretaria Nacional da JPT.

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